Em outubro deste ano, Belo Horizonte vai escolher seu 52º prefeito. A cidade, construída especialmente para ser a capital do Estado, passou de 2,5 milhões de habitantes e enfrenta problemas de uma metrópole. Um dos principais, segundo o arquiteto e urbanista Roberto Luiz Monte-Mór, da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, é o trânsito. “As questões urbanas são inúmeras, mas a questão do transporte público é uma das grandes. Não apenas o investimento, mas a gestão desse sistema”, diz o especialista, ouvido pelo Aparte em uma série que será publicada semanalmente neste espaço e que analisa as prioridades dos pretendentes aos cargos públicos em algumas das maiores cidades do Estado.

De acordo com Monte-Mór, hoje as necessidades da população não são atendidas nesse quesito. “Deveríamos ter vários modais, metrô, uma boa rede de ônibus, variações de modos de transporte públicos que se integrassem entre si. Hoje nem integração tarifária temos”, critica ele, referindo-se ao sistema em que o cidadão usa o mesmo cartão para pegar vários meios de transporte e tem desconto se pega um ônibus depois do metrô, por exemplo.

Isso se reflete na preferência do belo-horizontino pelo carro. Em dez anos, de 2005 a 2015, a frota de veículos da cidade praticamente dobrou, passando de 626 mil para 1,17 milhão. Enquanto isso, no mesmo período, a frota de ônibus aumentou apenas 39%, de acordo com dados do IBGE. Nesse setor, o Move, sistema de corredores de ônibus, tem sido citado pela atual administração como um bom exemplo.

Monte-Mór afirma que o sistema é fundamental, se for “bem gerido”. “Hoje a questão é como a pessoa vai sair de casa e chegar até o Move. Tem que ser implementado por outras formas”, diz.

O cientista econômico Edson Paulo Domingues, da UFMG, afirma que é preciso ficar atento à verticalização da cidade e ao encarecimento dos imóveis. “O custo de vida de BH sempre foi menor do que o de São Paulo, mas nos últimos anos essa diferença diminuiu. Uma das coisas que mais pesa nisso é o preço da moradia. Isso valoriza o espaço urbano, mas cria problemas de habitação”, diz.

Outro problema citado pelos economistas é a questão da sustentabilidade. Monte-Mór relembra que, no final de junho, o índice de gases do efeito estufa chegou a 1,76 toneladas de gás carbônico por habitante (tCO²/hab), quase dobrando nos últimos 14 anos. As medidas já são maiores do que as de São Paulo. “E 70% disso vem do transporte”, aponta Monte-Mór.

Domingues aponta que é preciso que a cidade tenha planos de longo prazo, para 20, 30 anos. “O que se imagina para a cidade daqui a esse tempo? Poderia se fazer uma meta de longo prazo para uma cidade mais sustentável, por exemplo”, explica. (Larissa Veloso)

“Meu nome é completamente desconhecido da população. Esse número de 1,4% é até muito. Só tenho 4.000 amigos no Facebook. Estamos em um processo de conhecimento.” Paulo Brant (PSB), comentando a pesquisa DataTempo publicada há uma semana.

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