Detentas do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto receberam sandálias de borracha e kits de higiene

O Judiciário mineiro fez hoje, 15 de maio, uma homenagem às mães do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto. A comemoração incluiu a doação de uma máquina para a produção de sandálias. Também foram doados kits de higiene e chinelos para as recuperandas que cumprem pena na unidade prisional. Além da cerimônia de entrega dos materiais, houve um culto em ação de graças pelo Dia das Mães, apresentações musicais e lanche.

As doações feitas às detentas do Complexo Penitenciário Estevão Pinto foram arrecadadas pela desembargadora Márcia Milanez, coordenadora-geral do Programa Novos Rumos. No âmbito do TJMG, é o Programa Novos Rumos que está à frente de iniciativas inovadoras na aplicação da lei penal no estado. Um amigo doou à desembargadora a máquina para a fabricação de chinelos, além de 200 sandálias de borracha que já haviam sido produzidas. A ideia é que seja criada uma cooperativa para a produção de chinelos personalizados, que poderão ser vendidos pelas detentas.

Projeto

“Estivemos no complexo penitenciário no Dia Internacional da Mulher, em março. Na ocasião, as recuperandas pediram que pensássemos num projeto que as auxiliasse, que contribuísse para quando elas retornassem à sociedade. Então, a ideia da cooperativa e as doações partiram de uma demanda delas”, explicou a desembargadora Márcia Milanez. A magistrada reuniu outros magistrados, que contribuíram com recursos para a compra de material para a confecção de outras 200 sandálias de borracha, além de material para o trabalho inicial da cooperativa.

Os recursos arrecadados pelo grupo de magistrados foram usados ainda para a compra e a confecção de kits de higiene, com itens como sabonete e papel higiênico. Quatrocentas detentas também foram presenteadas com as sandálias de borracha. A juíza Maria Luíza Santana Assunção, da 16ª Vara Criminal de Belo Horizonte, atuou como voluntária na iniciativa.

Durante o evento comemorativo pelo Dia das Mães, ocasião em que as sandálias e os kits foram entregues, o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador Herbert Carneiro, falou às mulheres que cumprem pena no local sobre a sua crença na recuperação das pessoas e na importância da humanização da pena. “Viemos aqui trazer orações e solidariedade. Cremos que vocês poderão sair daqui recuperadas”, afirmou.

Futuro

O presidente se dirigiu às mães, parabenizando-as pelo Dias das Mães. “Quero render-lhes nossas fraternas homenagens pelo seu dia e por essa condição divina que é a maternidade, não obstante todas as limitações e dificuldades que enfrentam, ao menos momentaneamente, de exercer, em sua plenitude, esse tão importante papel na vida de seus filhos”, disse. O presidente também falou da intenção de transmitir uma mensagem de esperança às recuperandas, incentivando-as a não deixarem de acreditar na possibilidade de um futuro melhor.

Os juízes da Vara de Execuções Penais das comarcas de Belo Horizonte e Contagem, respectivamente Luiz Carlos Rezende e Santos e Wagner de Oliveira Cavalieri, também falaram às recuperandas, ressaltando a preocupação permanente do Judiciário com a situação carcerária e o desejo de que todas se sintam acolhidas e com esperança em dias melhores.

A desembargadora Márcia Milanez ressaltou que o tempo de cada condenada no complexo penitenciário deve ser encarado como uma passagem: “Vamos virar a página e seguir em frente. Mantenham a fé. Deus dará forças a cada uma de vocês.” A juíza Maria Luíza Santana Assunção também falou às recuperandas, desejando que a comemoração servisse como um momento de acolhimento e de transformação.

Música

A comemoração teve participação do coral “Talento além dos muros”, formado por detentos da Penitenciária Nelson Hungria, do coral “Menina dos Olhos de Deus”, da Penitenciária Feminina Estevão Pinto, da banda metodista “Uma igreja na cidade”, do músico Elis Bak e das pastoras Cláudia Fernandes e Cássia Pinheiro.

Segundo a diretora-geral do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto, Juliana Aparecida de Camargos Silva Ferreira, a unidade prisional tem hoje sete oficinas, que empregam 138 detentas dos regimes aberto e semiaberto. A ideia é que a máquina para a produção de sandálias dê origem a uma cooperativa das próprias recuperandas. A entrega do equipamento foi o primeiro passo. Agora, um projeto sobre a cooperativa deve ser elaborado e encaminhado à Secretaria de Estado de Administração Prisional.

Atualmente, cerca de 460 mulheres cumprem pena no Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto. Dessas, 260 estão no regime fechado e o restante, nos regimes aberto e semiaberto. Participaram da comemoração pelo Dia das Mães, no pátio da unidade prisional, 203 mulheres do regime fechado.

 

Autoridades

Juízes, desembargadores e várias autoridades prestigiaram a homenagem às mães do Complexo Penitenciário Feminino Estevão Pinto.

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