Método EMA de Jessica Mendes promove revolução no ensino inclusivo com atividades multissensoriais



Criado em 2023, o método já mostra avanços em comunicação, autonomia e participação de alunos com autismo e paralisia cerebral, em sintonia com a crescente demanda por inclusão nas escolas brasileiras

 

A educação inclusiva no Brasil vive um momento de expansão sem precedentes, mas também enfrenta o desafio de responder às necessidades de um público cada vez mais diverso. Dados do Censo Escolar 2024, divulgados pelo Ministério da Educação e pelo Inep, mostram que entre 2023 e 2024 as matrículas de alunos com Transtorno do Espectro Autista cresceram 44,4%, saltando de 636.202 para 918.877 em apenas um ano, enquanto a Educação Especial como um todo avançou 17,2%. Outro dado expressivo é o aumento do índice de inclusão em classes comuns, que passou de 93,2% em 2020 para 95,7% em 2024, evidenciando que as escolas estão recebendo mais estudantes com necessidades específicas, mas nem sempre dispõem de metodologias eficazes para garantir o aprendizado de todos.

Com a experiência de quem vive a realidade da inclusão em sala de aula, a pedagoga Jessica Aparecida Camilo Mendes, de 37 anos, natural de São Carlos/SP, decidiu criar, em 2023, o Método EMA (Estratégia Multissensorial de Aprendizagem Inclusiva). Com especializações em Educação Especial e Psicopedagogia e 4 anos de experiência na área, ela estruturou um sistema pedagógico voltado para superar as limitações dos métodos tradicionais de ensino, que muitas vezes não conseguem atender às singularidades de crianças com deficiências ou altas habilidades.

A proposta ganha força por combinar atividades visuais, auditivas, táteis e motoras com o uso de recursos digitais e materiais concretos adaptados, sempre respeitando a individualidade de cada estudante. A metodologia é ancorada nos princípios da psicopedagogia, valorizando a autonomia, a observação contínua e o desenvolvimento socioemocional como parte fundamental do processo de aprendizagem.

Os resultados já alcançados são expressivos: em turmas que passaram a adotar o método, houve aumento de até 40% na participação ativa dos alunos, além de uma melhora significativa na comunicação funcional de crianças não verbais. Também foi observada uma redução dos episódios de frustração e resistência às tarefas escolares e o desenvolvimento de maior autonomia em atividades de vida diária e acadêmicas, indicadores que confirmam o impacto positivo da proposta.

A relevância do EMA se conecta a pesquisas internacionais que reforçam a eficácia de intervenções neuropsicopedagógicas estruturadas. Um estudo publicado em 2025 no International Journal of Psychiatry Research, conduzido com 107 crianças autistas entre 7 e 8 anos, demonstrou que o grupo submetido a um programa motor neuropsicopedagógico com 36 sessões apresentou melhorias significativas em funções executivas como atenção, controle inibitório e flexibilidade cognitiva, além de redução no tempo de reação. Embora o estudo não trate do EMA especificamente, os resultados evidenciam que metodologias multissensoriais bem planejadas são capazes de promover ganhos concretos no desenvolvimento de crianças com TEA, confirmando a relevância de propostas como a de Jessica.

Na prática, os resultados se traduzem em histórias de transformação, como as vividas por crianças com autismo e paralisia cerebral atendidas com a aplicação do EMA, que passaram a demonstrar avanços tanto na comunicação quanto na realização de atividades escolares. Esses progressos, além de contribuírem para o desempenho acadêmico, ampliam a integração social e fortalecem a confiança dos estudantes em suas próprias capacidades. 

Para Jessica, “cada criança tem um ritmo e uma forma própria de aprender, e o EMA nasceu justamente para respeitar essa singularidade e oferecer caminhos possíveis para que elas possam se desenvolver”.

O futuro do método aponta para novos horizontes e metas mais amplas, onde Jessica pretende adaptar sua aplicação a diferentes contextos culturais e consolidar a prática da psicopedagogia clínica em escala global. Essa visão de futuro reafirma que inovação na educação inclusiva não deve ser entendida apenas como resposta a demandas emergentes, mas como um compromisso contínuo de preparar a escola para reconhecer, valorizar e potencializar a diversidade humana.

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