Para a educadora Lorena Gallardo, ensinar uma língua é também ensinar a escutar, a compreender e a respeitar, um exercício de convivência que a ciência confirma como essencial para o aprendizado
Em tempos marcados por discursos polarizados e relações cada vez mais fragmentadas, a sala de aula resiste como um dos poucos lugares onde o diálogo ainda é possível, e é ali que a professora argentina Griselda Lorena Gallardo, radicada em Brasília, constrói diariamente uma pedagogia do encontro.
Com mais de doze anos de experiência no ensino de inglês, ela entende que aprender um novo idioma vai muito além de adquirir vocabulário ou dominar regras gramaticais, pois significa aprender a conviver com o outro e com a diferença. Cada aula é desenhada para que os alunos experimentem a escuta ativa, a empatia e a argumentação construtiva, transformando o aprendizado linguístico em uma prática de convivência. “A língua estrangeira é uma ponte, e o diálogo é o que nos permite atravessá-la”, resume.
Pesquisas recentes reforçam o quanto as relações humanas influenciam a qualidade do ensino, e uma delas, publicada pela revista Frontiers in Psychology em 2023, mostra que professores empáticos constroem ambientes de aprendizagem emocionalmente equilibrados, nos quais a confiança e o respeito substituem o medo e a tensão, favorecendo a troca de ideias e a abertura ao novo. A pesquisa propõe um modelo de empatia docente que integra três dimensões, afetiva, cognitiva e preditiva, e demonstra que a capacidade de
reconhecer emoções, compreender perspectivas e antecipar reações é determinante para o bem-estar e o desempenho acadêmico dos alunos, uma evidência científica do que Lorena pratica intuitivamente ao transformar cada diálogo em uma oportunidade de aprendizado compartilhado.

No contexto brasileiro, a relevância do professor como mediador de relações e aprendizagens foi confirmada pelo estudo Qualidade do Professor Brasileiro, realizado em 2024 pelo Instituto Península, em parceria com o Movimento Profissão Docente e a Fundação Getúlio Vargas. A pesquisa revelou que a qualidade do professor é o fator que mais impacta o aprendizado dos estudantes: 57,76% no ensino fundamental e 36% no médio, superando elementos como infraestrutura, número de alunos por turma ou escolaridade familiar. Segundo o levantamento, docentes bem preparados são capazes de lidar melhor com as adversidades em sala de aula, fortalecer vínculos e criar condições para o engajamento coletivo, reforçando que a educação é uma experiência relacional antes de ser um processo técnico.
É exatamente nesse ponto que a trajetória de Lorena se diferencia, porque ela se apropria dessas evidências para desenhar metodologias que aproximam ciência e afetividade. Suas aulas de inglês incorporam práticas de convivência: debates culturais que estimulam o pensamento crítico, atividades em pares que trabalham a cooperação e reflexões sobre empatia e diversidade que ajudam os alunos a se reconhecerem nas diferenças. Cada exercício é também um ensaio de convivência, no qual a linguagem se torna um espaço de escuta e reconstrução de vínculos. “Quando o aluno aprende a se expressar com respeito e curiosidade, ele aprende a viver em sociedade”, explica.
Essa abordagem tem efeitos que vão além da sala de aula, pois ao desenvolver habilidades comunicativas e emocionais, Lorena observa seus alunos tornando-se mais abertos ao diálogo e mais conscientes de suas responsabilidades no convívio social. O resultado é um ambiente de aprendizagem em que a colaboração substitui a competição, e a empatia, antes uma palavra abstrata, se transforma em prática cotidiana. Inspirada pela neurociência e pela pedagogia humanista, ela acredita que educar é preparar o indivíduo para participar de um mundo plural, e que o idioma é apenas o meio para cultivar a compreensão mútua.

Enquanto a pesquisa internacional destaca o impacto da empatia nas interações entre professores e alunos, e o estudo brasileiro comprova que a qualidade docente é o principal motor do aprendizado, Lorena Gallardo materializa esses dois pilares em sua prática diária, combinando formação técnica, sensibilidade humana e consciência social. Sua trajetória mostra que o ensino de línguas pode ser também um projeto de reconstrução do diálogo em tempos de ruído, porque, no fim das contas, aprender a conviver é o aprendizado mais urgente de todos.
Texto criado por Andre Luis
Supervisão jornalística aprovada por Nathalia Pimenta