Convidado para compartilhar sua experiência nesta reportagem, Pedro Henrique Abrão de Sá Guerra apresenta modelo próprio de gestão que une inovação, controle técnico e impacto financeiro mensurável no mercado brasileiro
Em um setor que movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, representando cerca de 2,7 por cento do Produto Interno Bruto e consolidando-se como um dos maiores empregadores do país, a profissionalização da gestão e a padronização de processos tornaram-se fatores determinantes para a sobrevivência e o crescimento sustentável das operações de alimentação fora do lar.
Convidado a analisar esse cenário para esta reportagem, o empresário Pedro Henrique Abrão de Sá Guerra, fundador em 05 de fevereiro de 2024 de uma sociedade empresária limitada no ramo de restaurante e lanchonete na cidade de Maceió, destacou que a eficiência operacional deixou de ser apenas uma boa prática administrativa e passou a ser elemento central de competitividade, especialmente em negócios de alto giro onde pequenas falhas podem comprometer margens de forma significativa.
Com experiência prévia consolidada em prevenção de perdas e gestão operacional no setor supermercadista, ele trouxe para o empreendedorismo uma abordagem orientada por indicadores e controle técnico, defendendo que desperdícios podem consumir entre 5 e 15 por cento do faturamento quando não há processos estruturados, realidade que impacta diretamente o resultado financeiro e limita a capacidade de expansão.
“Eu aprendi no varejo que o lucro não está apenas em vender mais, mas em controlar melhor cada etapa da operação, então quando fundei minha empresa apliquei exatamente essa lógica de gestão baseada em dados, padronização e responsabilidade com margem”, afirma, ao explicar a transição estratégica da liderança corporativa para a criação de um modelo próprio no food service.
Dentro desse contexto, desenvolveu em 2024 o Sistema de Produção Fracionada com Pré Assamento Controlado, método estruturado para resolver um dos principais gargalos do setor de alimentação rápida, que é o alto índice de descarte de produtos expostos por longos períodos sem previsibilidade exata de demanda, problema que reduz rentabilidade e afeta diretamente o posicionamento competitivo.
O modelo consiste na produção diária fracionada de salgados com pré assamento até ponto técnico específico que preserva textura, estrutura e qualidade, mantendo os produtos prontos para finalização térmica rápida sob demanda, eliminando a necessidade de manter grandes volumes totalmente prontos em exposição e garantindo ao consumidor a percepção de frescor associada à agilidade no atendimento.
Entre os diferenciais técnicos estão a produção escalonada conforme fluxo real de demanda, controle rigoroso de tempo e temperatura no pré assamento, padronização de gramatura e rendimento por unidade, redução de estoque de produto acabado exposto e previsibilidade de giro, estrutura que reflete aplicação prática de conhecimento técnico adquirido ao longo de sua trajetória profissional.
Segundo o empresário, a implementação do sistema gerou aproximadamente 25 por cento de redução nas perdas relacionadas a descartes, além de melhora significativa no tempo de atendimento, aumento da percepção de qualidade, crescimento da taxa de recompra e elevação do ticket médio, resultados que contribuíram para sustentar faturamento médio mensal na casa dos R$ 300 000 00 desde o primeiro ano de operação.
“Processo bem definido não engessa a operação, ele cria base para crescer com segurança, porque você entende seus números, domina seus custos e consegue escalar com responsabilidade”, afirma, ressaltando que a padronização estruturada foi determinante para consolidar posicionamento competitivo no mercado local e preparar a empresa para movimentos estratégicos futuros voltados ao segmento B2B e distribuição.
Ao conectar experiência técnica, inovação aplicada e resultados financeiros mensuráveis dentro de um setor que representa parcela significativa da economia brasileira, Pedro Henrique demonstra como gestão estratégica e controle operacional podem transformar desafios recorrentes do food service em vantagem competitiva sustentável, reforçando a relevância de modelos empresariais que unem método, eficiência e impacto econômico real.
* Texto criado por Andre Luis
* Supervisão jornalística aprovada por Nathalia Pimenta