Com foco em crianças com TDAH e TAG, arquiteta de Ipatinga cria projetos de interiores que estimulam a concentração, a autonomia e o equilíbrio emocional
Quando se pensa em arquitetura para crianças, é comum imaginar quartos coloridos, brinquedos espalhados e móveis adaptados ao tamanho dos pequenos. Mas o trabalho da arquiteta Amanda Brandão vai além da estética e do conforto. Natural de Ipatinga (MG), ela tem se destacado por unir neuroarquitetura e design de interiores como ferramentas para promover bem-estar emocional e desenvolvimento cognitivo, especialmente entre crianças com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e TAG (Transtorno de Ansiedade Generalizada).
A proposta pode parecer recente, mas Amanda fala do tema com propriedade e envolvimento pessoal. Diagnosticada ainda na infância com os dois transtornos, ela encontrou na arquitetura não só uma profissão, mas um caminho para ressignificar suas próprias experiências. “Cresci buscando soluções dentro do meu quarto para me sentir mais segura e acolhida. Sem saber, eu já praticava uma forma instintiva de neuroarquitetura”, conta.
O interesse virou estudo e, mais tarde, missão profissional. Com três pós-graduações nas áreas de interiores, BIM e gerenciamento de projetos, Amanda desenvolve ambientes que integram organização funcional, estímulos sensoriais e elementos afetivos — tudo pensado para reduzir distrações, estimular a autonomia e oferecer às crianças um espaço onde possam se reconhecer e se regular emocionalmente.
Mas afinal, o que a neuroarquitetura tem a ver com isso? A resposta está na forma como o cérebro responde ao ambiente. Estudos da neurociência aplicada à arquitetura mostram que fatores como iluminação, cores, sons, texturas e layout impactam diretamente nas emoções e nos comportamentos, especialmente em cérebros em desenvolvimento. Em crianças neurodivergentes, como as que convivem com TDAH ou TAG, esses estímulos precisam ser cuidadosamente planejados.
“Não se trata apenas de decorar. É entender como aquela criança se movimenta, como ela processa as informações visuais e táteis, o que a acalma ou o que a desorganiza. O ambiente pode ser um aliado ou um obstáculo”, explica a arquiteta. Com esse olhar sensível e técnico, ela projeta espaços que facilitam o uso autônomo — por exemplo, com mobiliário na altura ideal, divisões que ajudam na categorização dos objetos e rotas de circulação mais livres de interferências.
Amanda também enfatiza a importância de escutar as famílias e, sempre que possível, dialogar com terapeutas, pedagogos e psicólogos envolvidos com a criança. “A arquitetura infantil precisa ser interdisciplinar. Um bom projeto nasce do encontro entre o saber técnico e a experiência de quem vive ou acompanha aquela realidade no dia a dia”, afirma.

Esse cuidado se reflete em projetos que vão além da funcionalidade. São ambientes que acolhem e organizam. Que oferecem previsibilidade, sem serem rígidos. Que estimulam a criatividade, mas respeitam os limites sensoriais. Tudo isso sem abrir mão da estética — porque, para Amanda, beleza também pode ser ferramenta de equilíbrio emocional.
Mais do que um diferencial profissional, essa abordagem representa um posicionamento. Amanda Brandão defende uma arquitetura que participa do processo terapêutico, que conversa com a infância e que ajuda crianças a se sentirem seguras em um mundo onde, muitas vezes, tudo parece acelerado demais.
Para conhecer mais sobre o trabalho da arquiteta e acompanhar seus projetos, acesse @amandabrandao.arq no Instagram ou entre em contato pelo e-mail [email protected].