Ex-atleta de futebol e hoje triatleta competitivo, Pedro Paciullo mostra como o esporte moldou sua disciplina, clareza emocional e ritmo de execução no mercado financeiro
Antes de liderar operações de fusões e aquisições, Pedro Paciullo já disputava campeonatos de futebol na Suécia, nos Estados Unidos e na Finlândia. O palco era outro, mas a exigência, a rotina e a cobrança por resultado não mudavam muito. O que começou como paixão de infância virou o alicerce de uma mentalidade que hoje ele leva para todos os projetos profissionais: foco no processo, controle do ritmo e constância na execução.
Hoje, Pedro atua no mercado financeiro com o mesmo olhar de quem cruza uma linha de chegada depois de horas competindo. Ele sabe que não se vence nada no sprint. A entrega real acontece quando você sustenta o esforço no longo prazo. E foi exatamente por isso que o triathlon virou parte central da sua rotina. Mais do que um desafio físico, a prova virou uma forma de treinar o que ele acredita ser decisivo também nos negócios: clareza mental, controle emocional e disciplina prática.
Desde 2022, Pedro já participou de mais de dez meias-maratonas, duas maratonas e três provas do Ironman 70.3. A escolha não foi aleatória. Ele poderia correr provas curtas, treinar em horários mais leves ou praticar esporte apenas como válvula de escape. Mas preferiu o caminho difícil, aquele que exige planejamento, consistência e tomada de decisão sob desgaste. Tudo o que, aliás, também se exige de quem lidera transações financeiras de alto impacto.
“O Ironman me ensinou a respeitar o processo. Não importa o quanto você esteja bem preparado, a prova vai te testar. E nos negócios acontece exatamente a mesma coisa. Nem sempre o plano sai como você queria, mas quem aguenta o percurso até o fim costuma sair melhor do que entrou”, explica.

Pedro leva essa mentalidade também para dentro do escritório. Aos 22 anos, já liderava uma mesa de renda fixa com mais de R$2,5 bilhões sob gestão. Anos depois, migraria para a área de M&A e operações estruturadas, onde participou de transações que somam mais de R$500 milhões. Em meio a análises técnicas, estruturas complexas de dívida e processos de negociação, o que faz diferença, segundo ele, não é só o conhecimento, mas a forma como se reage sob pressão.
O esporte, nesse sentido, funciona quase como uma prática diária de resiliência. Em vez de buscar equilíbrio fora do trabalho, ele escolheu trazer o esforço físico como parte do seu sistema de performance. Treina cedo, organiza seus horários com rigor e encara cada ciclo de provas como uma preparação complementar à sua atuação no mercado.
Treinar para um Ironman não é só correr, pedalar e nadar. É lidar com cansaço crônico, ajustar detalhes técnicos, revisar estratégias e adaptar o plano conforme o corpo e a cabeça respondem. Pedro enxerga isso com clareza. Aprendeu que competir não é só sobre chegar rápido, mas saber dosar, corrigir e persistir.
Essa visão se reflete na forma como conduz negociações, monta soluções financeiras ou orienta times. Há sempre um olhar para o todo, uma paciência com o processo e, ao mesmo tempo, uma capacidade de decidir com firmeza quando o momento exige. O esporte não é metáfora. É parte real do que ele pratica como executivo.

“Não é só sobre ser disciplinado. É sobre manter um padrão alto mesmo quando não tem ninguém olhando, quando você está cansado, quando o resultado ainda está distante. Isso vale para os treinos, para as operações e para a vida.”
Mais do que conciliar duas rotinas exigentes, Pedro Paciullo construiu um modo de pensar onde o corpo e a mente trabalham em sintonia para entregar com consistência. Uma filosofia que o acompanha desde a infância, passou pelos gramados e hoje segue firme nas trilhas, nos treinos e nas salas de reunião. O que ele leva para cada ambiente é o mesmo: uma vontade inegociável de performar bem. E por tempo suficiente para fazer isso valer.