Economia: quase 72 milhões de brasileiros estão inadimplentes



Imagem::FEEB-SC.

 

Esse é o maior índice, desde que a pesquisa do SPC Brasil começou em 2015; inflação e perda de poder de compra com o aumento dos preços de bens e serviços essenciais (como alimentação, energia e gás), vem comprometendo o orçamento mensal e forçando a escolha entre pagar as contas básicas e as dívidas

 

Com a oscilação na economia brasileira no ano de 2025, queda do poder de compra entre outros fatores, cerca de 43% dos adultos acabaram ficando inadimplentes. Esse é o maior índice desde que a pesquisa Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas, da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil, começou a ser feita em 2015. Amanda da Silva Avelar, dona de casa, está sem emprego há quatro anos e até o básico ficou difícil de pagar.

A família entrou no ciclo do endividamento, e não foi só ela. Mais de 43% da população adulta do país estão inadimplentes, com boletos já vencidos. São quase 72 milhões de pessoas. O maior patamar desde que essa pesquisa começou a ser feita, em 2015.

Além de o número de inadimplentes ter aumentado, aumentou também o tempo que as pessoas permanecem com as contas atrasadas. Os pagamentos com atraso de 3 a 4 anos cresceram quase 40% em 12 meses.

 

“A gente tem uma taxa de juros que ficou num patamar muito alto. A gente teve uma inflação muito alta, especialmente nos itens de alimentos, e que está um pouco mais controlada agora, mas os preços dos produtos ficaram num patamar elevado e as famílias têm tido menos espaço para outras compras ou para poder quitar dívidas que já estavam feitas antes”, comenta Merula Borges, especialista em finanças da CNDL.

 

Três em cada dez consumidores deixaram de pagar contas de até R$ 500. Os inadimplentes se concentram na faixa de 30 a 39 anos.

De acordo com o levantamento de julho de 2025 da Serasa, por exemplo, o Brasil atingiu 78,2 milhões de negativados, um novo recorde. Outras pesquisas, como as de maio de 2025 da CNDL/SPC Brasil, apontavam para cerca de 70,73 milhões de consumidores negativados.

Fatores por trás da inadimplência

Vários fatores complexos contribuem para a alta taxa de inadimplência no país, como:

* Elevado Custo do Crédito: A taxa básica de juros (Selic) alta torna empréstimos, financiamentos e, principalmente, o rotativo do cartão de crédito, extremamente caros, dificultando a quitação das dívidas.

* Inflação e Perda de Poder de Compra: O aumento dos preços de bens e serviços essenciais (como alimentação, energia e gás) corrói o poder de compra das famílias, comprometendo o orçamento mensal e forçando a escolha entre pagar as contas básicas e pagar as dívidas.

* Desemprego e Renda Instável: Embora a taxa de desemprego possa mostrar alguma melhora, a qualidade da renda e a estabilidade financeira de muitas famílias permanecem frágeis.

* Endividamento Excessivo: Muitas famílias já estão com um alto nível de endividamento, o que as deixa vulneráveis a qualquer imprevisto financeiro, empurrando-as para a inadimplência.

O impacto

Um número tão grande de pessoas inadimplentes afeta não apenas a vida financeira individual, mas também o crescimento da economia como um todo, pois:

* Restringe o Consumo: Pessoas com o “nome sujo” têm menos acesso a crédito ou a crédito mais caro, o que limita o consumo e o investimento das famílias.

* Cria um Ciclo Vicioso: A inadimplência leva a uma maior cautela dos bancos em conceder crédito, o que, por sua vez, pode sufocar pequenos negócios e agravar a situação econômica geral.

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