Em um ambiente dominado por métricas de vaidade, o estrategista Ares Oliver analisa por que posicionamento e tomada de decisão valem mais do que likes
Curtidas, visualizações e seguidores se tornaram a linguagem predominante do marketing digital. Plataformas recompensam alcance, tendências surgem e desaparecem em ritmo acelerado, e muitas empresas passaram a medir resultados quase exclusivamente por números visíveis. O problema é que essa lógica raramente acompanha aquilo que sustenta um negócio no longo prazo. Exposição não é sinônimo de relevância, e alcance, isoladamente, diz pouco sobre posicionamento, autoridade ou capacidade real de conversão.
É a partir dessa leitura que Ares Oliver, estrategista de posicionamento e autoridade e fundador da URBANOMIDIA™, constrói sua atuação no mercado. Com mais de sete anos de experiência e vivência direta junto a empresas, instituições e figuras públicas, ele defende que o marketing precisa ser tratado como parte do processo de decisão de um negócio, e não como um conjunto de ações soltas em busca de atenção imediata.
Para Oliver, um dos erros mais recorrentes está na inversão de prioridades. Muitas marcas começam pela execução, escolhem formatos, investem em mídia e produzem conteúdo antes mesmo de compreender com clareza quem são, o que defendem e qual percepção desejam construir. Nesse caminho, o alcance vira um objetivo em si, e não uma consequência de uma estratégia bem definida.
“O alcance sem estratégia costuma gerar movimento, mas não direção. Quando a empresa corre atrás de números, ela entrega seu posicionamento ao acaso e perde o controle da própria narrativa”, afirma.
A crítica não se dirige ao uso de métricas, mas à dependência delas como principal critério de sucesso. Likes e visualizações podem indicar interesse momentâneo, mas não revelam se a marca está sendo percebida da forma correta, se fala com o público certo ou se sustenta decisões de crescimento. Estratégia, nesse sentido, funciona como um filtro que orienta escolhas, define prioridades e reduz decisões impulsivas.
Essa visão ganha força quando observada na prática. Em ambientes de alta exposição e responsabilidade, onde a comunicação impacta reputação, negócios e relações institucionais, improviso raramente é uma opção. Clareza, coerência e posicionamento consistente tendem a pesar mais do que picos de visibilidade.
Outro ponto central da análise está na promessa de crescimento rápido, frequentemente associada a fórmulas prontas e atalhos. Embora atrativas, essas soluções costumam gerar marcas frágeis, dependentes de estímulos constantes para se manterem relevantes. Quando a atenção diminui, o valor percebido diminui junto.

“Autoridade se constrói quando existe coerência repetida ao longo do tempo. Campanhas acabam, tendências passam, mas um posicionamento bem definido continua operando mesmo quando o marketing desacelera”, diz.
Ao priorizar estratégia, empresas passam a tratar comunicação como ativo, e não como ação pontual. Isso significa alinhar discurso, imagem, comportamento e tomada de decisão. Significa compreender que o marketing não corrige falhas estruturais, mas pode amplificar escolhas corretas quando elas já estão bem estabelecidas.
O amadurecimento do mercado digital passa justamente por esse entendimento. À medida que empresários e gestores percebem os limites da visibilidade vazia, cresce a busca por direção, intenção e consistência. Estratégia deixa de ser um conceito abstrato e passa a ser um instrumento de sustentação em um ambiente competitivo e instável.
No fim, o debate não está entre ter ou não alcance. A questão central é o que sustenta esse alcance quando o ruído diminui. Em um cenário onde todos disputam atenção, seguem relevantes aqueles que sabem exatamente quem são, por que existem e qual valor entregam. Estratégia não garante aplauso imediato, mas é ela que sustenta relevância quando o entusiasmo passa e a atenção se desloca.