De um quarto na casa da sogra à liderança internacional: a trajetória de Humberto R. Barros, da Tradecomm



Profissional começou cedo, carregando telefone e vendendo impressão em clínicas. Hoje, comanda uma operação multinacional com mais de 100 pessoas e atende marcas como Estée Lauder, L’Occitane, Dior, GoPro, Oster, Apple, Samsung e outras.

A história de Humberto R. Barros não começou com grandes cargos nem com capital de investimento. Começou aos 12 anos, trabalhando na clínica do pai, batendo perna por São Paulo, vendendo receituários médicos impressos para consultórios, observando os processos de perto e desmontando sua bbicicleta. Sempre com curiosidade e vontade de aprender.

Esse olhar inquieto e mão na massa seguem presentes até hoje. Humberto é Chief Operations Officer da Tradecomm, empresa fundada por ele em 2001 e que, mais de duas décadas depois, opera em mais de 15 países atendendo marcas globais como Estée Lauder, Guerlain, L’Occitane, Dior, GoPro, Shiseido e Clarins.

Antes de liderar uma multinacional, ele fez quase tudo: carregou caixa, vetorizou os ícones dos manuais que produzia, ajudou a costurar gorros de Natal para expor celulares, montou expositores com serralheiros e acompanhou a logística de 700 trocas simultâneas em pontos de venda. A história dele é a de quem cresceu por dentro do processo e, justamente por isso, entende o valor de cada etapa.

O começo: de aprendizados na infância à Motorola nos anos 90

Filho de médico pediatra, Humberto cresceu vendo o pai trabalhar ininterruptamente, sempre com muita dedicação. Desde cedo entendeu que esforço e compromisso não eram opcionais. Na adolescência, passou por diversos trabalhos, incluindo uma gráfica, onde aprendeu sobre impressão a laser quando essa tecnologia ainda engatinhava no Brasil.

Em 1992 que ele entrou na Motorola. Primeiro como operador, depois como executivo de contas. E, em 1994, aceitou um novo desafio: ingressar na Gradiente, grande fabricante de eletrônicos da época. Lá, passou por vendas e logo migrou para o departamento de treinamento.

Poucos anos depois, tornou-se responsável por capacitar lojistas e operadoras de telefonia móvel em todo o país. Realizava três turmas de treinamento diariamente, e chegou ao ponto de ser reconhecido pelas tripulações das companhias aéreas. A vida no ar se tornou rotina, mas o aprendizado em solo foi o que mais marcou. “O avião era o meio. O objetivo era entregar um bom treinamento para quem ia atender o cliente na ponta”, ele resume.

Casamento, filhos e a decisão de empreender

Em 1998, casou-se com Daniele, que logo se tornaria também sua parceira nos negócios. Em 1999, nasceu Catarina, primeira filha do casal. E, no ano seguinte, com a saída da Gradiente do setor de telefonia, Humberto viu uma oportunidade: criar sua própria empresa. Começou pequeno, em um quarto da casa da sogra, com um computador Mac G4 e muito trabalho pela frente.

A ideia era oferecer serviços de criação, tradução e conteúdo técnico para fabricantes de tecnologia. E assim foi. O primeiro cliente foi a LG, depois vieram marcas como Alpargatas, Philips, e, mais tarde, outros gigantes como Nokia, Samsung e GoPro. A cada nova demanda, ele estudava, aprendia e se envolvia diretamente. “Eu queria entender como tudo funcionava, para poder entregar algo realmente útil”, conta.

Em 2002, o segundo filho, Marco Antônio chegou para completar o quarteto e formar uma família sólida, unida e com o propósito de voarem cada vez mais alto.

“Sempre fizemos questão de passar aos nossos filhos valores primordiais, responsabilidades com suas tarefas e como as recompensas são colhidas quando tudo é feito com amor, qualidade e principalmente da maneira correta”, resume ele.

Um negócio que cresceu com os dois pés no chão

Com o tempo, a estrutura cresceu. A Tradecomm ganhou equipe, sede própria, clientes de diversos segmentos e ampliou seu leque de atuação. Mas o espírito prático seguiu firme. Humberto acompanhava de perto desde o desenho técnico de um expositor até o acabamento final. Aprendeu sobre marcenaria, corte a laser, colagem de vidro, softwares 3D e sistemas de automação, tudo para poder discutir de igual para igual com os fornecedores e orientar melhor sua equipe.

Enquanto isso, Daniele assumia com firmeza a área administrativa e financeira da empresa. O equilíbrio entre os dois foi essencial para o crescimento sustentável do negócio. “Ter alguém ao lado que você confia e que conhece os bastidores da empresa como ninguém faz toda a diferença”, diz Humberto. Não é exagero afirmar que a Tradecomm é um projeto de vida do casal.

Hoje, o grupo tem sedes no Brasil, Estados Unidos e Canadá. Conta com mais de 100 colaboradores diretos e indiretos, presença em mais de 30 aeroportos internacionais e atende marcas premium em projetos que vão de expositores automatizados a ambientações completas em varejo.

Valores que não mudam, mesmo com o sucesso

Mesmo com o crescimento e a internacionalização da operação, Humberto segue com a mesma essência de quando começou: curioso, envolvido e atento aos detalhes. Faz questão de acompanhar o dia a dia da empresa, conversar com os times, sugerir melhorias e estar presente nas decisões estratégicas e operacionais.

Em casa, vale o mesmo princípio. Participa ativamente da vida dos filhos e acredita que ensinar o básico, da troca de óleo do carro à resolução de problemas do cotidiano, é parte da formação de qualquer cidadão consciente. Para ele, o conhecimento deve ser compartilhado e a educação é um dos pilares de uma sociedade justa e preparada para o futuro.

Com esse olhar, a Tradecomm se tornou não só um exemplo de eficiência técnica, mas também uma empresa que se construiu com presença, esforço e propósito. Um negócio que tem orgulho de suas origens e que não terceiriza aquilo que faz parte de sua essência: entender o cliente, resolver com inteligência e entregar bem feito.

Se quiser acompanhar os bastidores dessa jornada construída com as próprias mãos, Humberto compartilha ideias, aprendizados e momentos de sua rotina no LinkedIn e no Instagram. Afinal, mais do que entregar projetos, ele acredita que o verdadeiro impacto está na forma como as histórias são vividas, e não só contadas.

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