O avanço da presença feminina na construção civil

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O período de Jogos Olímpicos é um dos raros momentos propícios para imaginarmos como seria a realidade de viver num mundo sem o abismo que separa homens e mulheres. Particularmente nós, brasileiros, vivenciamos os jogos com aquela expectativa de acumular o maior número de medalhas possível, venham elas das modalidades masculinas ou femininas.

Porém, a realidade não é exatamente esse dueto harmônico entre homens e mulheres. E o mercado de trabalho é uma das imagens mais fieis da discrepância que coloca em lados opostos os dois sexos. A boa notícia é que isso vem caindo gradativamente, à base de muita força, é verdade, mas com demonstrações seguidas de competência e de conscientização das próprias corporações.

Na construção civil, um mercado tradicionalmente masculinizado, nós, mulheres, ainda somos uma imensa minoria, mas já vamos alçando um protagonismo impensado em outros momentos da história. Isso graças a um mercado que passou por ajustes, que evoluiu, que se abriu a novas experiências e que estabeleceu a qualificação como requisito mais importante do que a misoginia oculta que ocorria antes.

A presença feminina no setor já é mais aceita em diferentes níveis, desde os maiores cargos de gestão até os disponíveis nos canteiros de obras. Dados do Ministério do Trabalho indicam que o crescimento da mulher na construção civil superou os 50% nos últimos 10 anos no Brasil. Hoje já somos mais de 200 mil trabalhadoras da construção civil no país. É uma vitória diante do que se via nas décadas anteriores, mas um número bem ínfimo perto da quantidade de homens.

O trunfo, a carta na manga que pode encurtar de vez essa distância está na formação superior. As faculdades de Engenharia, antes ocupadas quase que exclusivamente por homens, já têm uma parcela de 30% de mulheres, segundo o Censo da Educação Superior. Essa parcela é maior do que o percentual de mulheres que estão sendo absorvidas pelo mercado.

Embora seja ruim, isso permite considerar que num futuro próximo a massificação feminina qualificada vai determinar o equilíbrio também nas contratações. E é exatamente isso o que queremos que aconteça. Nossa busca não deve ser amparada num jogo de meninas contra meninos, numa batalha delas contra eles, mas numa igualdade de condições que insiste em permanecer inédita na história.

Ainda haverá de chegar o dia em que as vitórias femininas na vida social e econômica serão tão naturalmente comemoradas quanto as medalhas olímpicas. No fim das contas somos uma mesma nação, independente do gênero.

Simone Las Casas é diretora de marketing da Ecogranito, empresa com 12 anos de fundação.