Mês da Consciência Negra reforça a necessidade de discutir a pauta racial também no âmbito corporativo

Na foto: Juliana Kaiser.

Caminho de ações antirracistas podem alavancar investimentos e apresentam possibilidade de mexer na pirâmide socioeconômica

Promover o lugar de fala de profissionais negros, especialmente de quem vem se dedicando ao tema há anos, no Mês da Consciência Negra. Praticar black money, empoderar economicamente pessoas pretas. Levar/reforçar a importância dessa pauta racial nas empresas com ações antirracistas – especialmente pautadas em ESG -, e como forma de alavancar investimentos, são caminhos apontados pela professora de Diversidade da PUC-Rio e da Universidade Federal do Rio de Janeiro Juliana Kaiser, negra, judia, Educadora ativista pela equidade pelo muito que sempre enfrentou, para colocar em prática a urgência e importância do tema.

Ela aponta a necessidade de olhar o fenômeno chamado porta giratória nesta caminhada: menos de 30% dos talentos negros contratados nos programas de diversidade pedem demissão antes de seis meses. “Sob este ponto de vista, as mentorias para talentos negros também podem colaborar e diminuir os altos números de turnover nas empresas, promovendo o aceleramento de carreiras”, indica.

A falta de letramento, segundo Kaiser, é uma das causas de demissões voluntárias de pessoas negras. A solução? Palestras e outros treinamentos para cobrir uma questão que não é ensinada, a ninguém, na escola. “Conversando com meus alunos gestores de RH eles relatam que as entrevistas de desligamento são vazias. Os talentos negros, mesmo com bons salários e pacote de benefícios atraentes, simplesmente pedem para sair, mesmo sem ter algo em vista. Meu feeling de pesquisadora diz que esse é  o ponto: Não adianta altos salários se não houver um onboarding bem feito, times negros no RH e mentorias para que esses talentos recém-contratados aprendam a lidar com a falta de preparo dos times com as questões de letramento racial”, diz Juliana Kaiser.

A sensibilização da alta liderança acerca da diversidade racial – a partir do apoio e desenhando processos seletivos exclusivos para talentos negros – ajuda na prática. Para fazer processos seletivos exclusivos para pessoas negras, é fundamental contratar uma pessoa negra de RH. “Ela vai ajudar a mitigar os chamados vieses inconscientes. Depois, contratar algum profissional negro de comunicação para não só pensar as peças gráficas, como redigir o texto da vaga”, afirma.

Juliana Kaiser está avaliando o perfil econômico de mulheres negras, brasileiras, no “pós George Floyd”; o compilado será transformado em livro. O objetivo é validar, mais uma vez, a necessidade de se promover práticas que levem à mexida de fato na pirâmide econômica e social do país. “Até o momento, temos 89 respostas. Algumas entrevistadas deixam seus números de whatsapp, porque querem falar. Em mais de 85% dos casos elas relatam já terem sofrido racismo no ambiente de trabalho. Frases como “seu cabelo não combina com o ambiente corporativo” foram substituídas por ‘não vejo você como líder, porque acho que ainda não tem postura’”, entrega.

Para as marcas, ter uma comunicação voltada para a diversidade racial, combatendo também campanhas equivocadas sobre o tema e o desgaste, treinar porta-vozes sobre diversidade racial e apoiar a condução de Grupos de Afinidade Étnico-racial nas empresas são maneiras de se trabalhar preventivamente e evitar a necessidade de gerenciamento de crises, sobretudo porque as redes sociais são implacáveis nas avaliações dos acontecimentos.

Neste contexto, Juliana Kaiser participará no próximo dia 19/11 do “Divas na Liderança”, promovido pela Avon, Profissas e Potências Negras, para fomentar a liderança feminina e negra no Brasil.

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