Mostra de cerâmica acontece em Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto, no dia 20 de dezembro, como fruto da 1ª edição da Oficina Cerâmica Santana



Oficina Cerâmica Santana – Foto Leo Lopes.

 

Exposição é aberta ao público e conta com peças à venda desenvolvidas pelos alunos de Alex Santana 

 

No dia 20 de dezembro, acontece a primeira mostra da 1ª Edição da Oficina Cerâmica Santana, com peças produzidas pelos alunos de Alex Santana, criador do ateliê escola que produz cerâmicas para renomados restaurantes Brasil afora. A exposição será aberta ao público no restaurante da UTMI em Miguel Burnier, levando à comunidade os frutos do projeto. Todos os produtos estarão à venda.

A oficina aconteceu de 7 de novembro a 14 de dezembro no distrito de Ouro Preto e as aulas foram conduzidas pelos ceramistas e artistas plásticos Alex Santana e Maicon Souza, da Cerâmica Santana. Além das aulas, a edição contou com as palestras de Alex e do convidado José Alberto Bahia, ceramista no ateliê Saracura Três Potes, de Brumadinho (MG). Como última etapa, os alunos expõem o trabalho realizado em quatro mostras de processo. O projeto, assim, contribui para a difusão da arte da cerâmica e com a profissionalização dos participantes.

A Cerâmica Santana, primeiro ateliê-escola de cerâmica em funcionamento dentro de uma vila de periferia no país, busca trazer de volta a prática para as comunidades tradicionais. O ateliê trabalha com o manuseio do barro para produção de peças artísticas e utilitárias, técnica tradicionalmente popular, que hoje está bastante restrita a escolas de acesso restrito à população de baixa renda. Além de incentivar a produção artesanal, o objetivo da oficina também é trabalhar para a geração de trabalho e renda nas vilas e favelas.

Para Leonardo Beltrão, Diretor da Através – Gestão cultural, uma das empresas envolvidas no projeto, “é uma oportunidade ímpar podermos levar um pouco das técnicas da Cerâmica Santana para o interior, especialmente em uma comunidade com bastante potencial de desenvolvimento no campo da cultura, como Miguel Burnier.” O distrito possui vocação turística e cultural, com diversos patrimônios materiais e imateriais, como as igrejas, o congado, além de diversas iniciativas de formação.

“Detectamos um potencial enorme de geração de trabalho e renda por meio da cerâmica, que faz parte da história de Ouro Preto e região. Além de poderem desenvolver as suas aptidões, os alunos têm a oportunidade de participar de eventos com grande circulação de público, para que as obras tenham vazão e possam ganhar o mundo. É muito importante esse tipo de incentivo realizado pela Gerdau, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, pois foge aos eventos tradicionalmente financiados com os recursos públicos e vai diretamente ao encontro da nova lei que acaba de ser sancionada pelo Governo do Estado, no intuito de descentralizar ainda mais as ações culturais em Minas. Esperamos que seja a primeira edição de muitas”, completa.

Este projeto é realizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com incentivo da Gerdau.

SOBRE ALEX SANTANA

A história da Cerâmica Santana se mistura a de seu principal ceramista, o artista Alex Santana, que começou com a arte por meio de uma organização sem fins lucrativos de Belo Horizonte, a ONG Contato. “Um amigo me chamou para um curso diferente na ONG Contato: aprender a fazer vassoura com garrafa PET. Só que o forno comprado para queimar as cerdas também servia para cerâmica, e foi aí que o Marcelo Albert, na época aluno da Escola Guignard, montou uma nova oficina. No final, ficamos só eu e mais três pessoas, e todas nós seguimos no ofício até hoje”, conta Alex.

“Nessa época que me veio uma vontade de pertencimento. Todo menino negro que mora no morro vive isso — é um desejo que vai crescendo junto com a gente. Queria ter um tenizinho bacana, andar bem vestido, ser incluído nos grupos. Parte de meus colegas e vizinhos entraram para o crime. Arrumar um trabalho era muito custoso. Aos 17 anos, eu rodava, rodava, e não aparecia nenhuma oportunidade. Eu poderia ser mais um deles” complementa.

Inicialmente, as peças produzidas no local ainda eram pouco profissionais, o que impossibilitava a venda. Por conta disso, Alex não conseguia se dedicar exclusivamente à cerâmica e trabalhava também como garçom em um bar. “No início, precisava me dividir entre as tardes com a cerâmica e o trabalho em bar à noite. Até que o estabelecimento participou do festival gastronômico Comida di Buteco e o dono propôs usar as minhas peças para apresentar os pratos “, relembra o artista.

No festival, o artista conheceu renomados chefs de cozinha da capital mineira, como Júlia Martins, Ivo Faria e Flávio Trombino. Desde então, as peças produzidas pela marca vêm ganhando espaço em restaurantes estrelados de todo o Brasil, como o Outland, do chef Massimo Battaglini, e o OssO, do chef Djalma Victor, responsáveis pelos trabalhos mais recentes da Cerâmica Santana. Junto ao irmão Maicon Souza, cria peças descontraídas, inspiradas em cores, referências e formas do cotidiano.

Este projeto é realizado por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, com incentivo da Gerdau.

SERVIÇO

Mostra de Cerâmica 

Data: 20 de dezembro

Horário: das 11h30 às 14h30

Local: Restaurante da UTMI

Miguel Burnier (MG)

 

Acesso gratuito

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