Clubes de assinatura: misto de qualidade e comodidade

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Por:Tatiana Moraes

Receber em casa um box recheado de produtos selecionados por um especialista, com custo mais baixo do que o encontrado no mercado ou até mesmo exclusivos é uma comodidade que cresce ano após ano. É com esse apelo que os clubes de assinatura se multiplicam. E esse nicho tende a crescer a passos largos. Entre 2015 e 2018, por exemplo, o ticket médio do setor saltou 41,3%, passando de R$ 97,34 para R$ 137,54, conforme a plataforma de pagamentos Vindi. Em Minas, eles atendem a 23 clubes.

Segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcom), o segmento movimentou R$ 1 bilhão em 2018. E o que chama a atenção é variedade dos produtos que podem ser comprados nesse modelo de vendas. De marmitas fitness a alimentos sem glúten, passando por itens geek e eróticos e livros infantis, nos clubes de assinatura tem de tudo.

“Os clubes de assinaturas vendem produtos com curadoria. Ou seja, algum especialista procura o que há de melhor naquela área para oferecer ao cliente, que tem a comodidade de receber os itens em casa”, afirma a especialista em clubes de assinatura da Vindi, Lidiane Oliveira. Ainda de acordo com ela, como os clientes recebem os mesmos produtos, o clube consegue comprar em grande escala, pagando menos pelos produtos e aumentando o lucro.

De olho nesse filão, o Marmita Fitness entrou no mercado de clube de assinatura nesta semana. A expectativa do proprietário, Ewerton Pereira, é a de chegar a mil clientes até o final do ano. “Vamos vender quatro planos e o cliente pode escolher quando ele receberá o produto em casa”, diz o empresário.

Entre os planos ele oferece comida low carb, para emagrecimento, para ganhar massa magra e um plano com alimentos variados. A assinatura, que garante a entrega de dez pratos, pode ser de um a 12 meses e o valor mensal cai à medida em que aumenta o prazo da assinatura. “Esporadicamente, mandamos um brinde para que a pessoa se sinta mais valorizada”, diz.

A fidelização do cliente, para Pereira, é fundamental para prever a receita no fim do mês. “Quando vendíamos apenas os combos, não conseguíamos estimar tão bem o faturamento mensal. Mas com o clube nós conseguiremos”, afirma.

Segundo maior clube de vinhos do país, o VinhoClube, da Casa Rio Verde, estima crescer 30% em 2019, índice comemorado pelo gerente de e-commerce da empresa, Gabriel Roberto. De acordo com ele, a pré-seleção dos vinhos é fundamental para fidelizar o público. “O cliente escolhe um dos nossos planos e nós encaminhamos para ele todos os meses vinhos excelentes, selecionados por um especialista. Em alguns casos, a garrafa sai até 40% mais barata do que se fosse comprada no mercado”, diz.

Outro destaque do clube é que todos os rótulos são enviados com uma ficha técnica. Dessa forma, o cliente sabe como harmonizar o vinho, quanto tempo ele deve descansar antes de ser servido e qual a temperatura ideal da bebida. “Temos clientes que colecionam os rótulos”, conta Gabriel Roberto.

Ele destaca que, embora seja um negócio atrativo, o modelo de vendas pode se tornar perigoso quando não há gestão correta do estoque. “Não pode faltar produto, mas também não pode sobrar, porque no mês seguinte nós vamos enviar outros rótulos”, comenta.

 

Com muita criatividade, mercado infantil é um dos nichos que mais crescem na modalidade

O mercado infantil está nadando de braçada na ascensão dos clubes de assinatura. Além da diversidade e da criatividade dos produtos, o fato de a caixa trazer uma surpresa todos os meses encanta os pequenos. Nessa onda, o Leiturinha já conquistou 135 mil assinantes.

O clube oferece livros infantis e mimos pedagógicos para diversas faixas etárias. Em Minas, a empresa possui 16,2 mil adeptos, o equivalente a 12% do público nacional, e o número tende a aumentar no curto prazo. Belo Horizonte responde por 22% do público mineiro.

“Os pais informam a faixa etária e nós enviamos produtos específicos. Temos casos de grávidas que já assinam porque estudos comprovam que o aprendizado do bebê começa na barriga da mãe e de vários pais de bebês que aderem aos pacotes especialmente pelos itens sensoriais, pois acaba virando um brinquedo”, explica o diretor de Negócios da Leiturinha, Rodolfo Reis. Ele destaca que todos os itens que vão no box têm como objetivo o desenvolvimento da criança, fator que atrai os pais.

Além dos planos básicos o clube oferece o ‘duni’, que entrega dois livros mensalmente. “Esse plano foi desenvolvido para as casas que têm irmãos”, diz.

Promover o aprendizado de forma lúdica também é o objetivo do clube O Pequeno Mochileiro. Criado há cerca de um ano, ele leva informações de vários países às crianças. “Os personagens do livro principal vão visitar o avô, e ele cria uma máquina que os leva para vários países. Como as crianças da história não podem levar os amigos, elas enviam informações, escrevem cartas, passaportes, receitas, cartões de embarque que dão acesso a jogos on-line e muitas outras coisas. Esses produtos que vão na caixa”, explica Mariana Lara Diniz, idealizadora do clube, voltado a crianças de 6 a 13 anos.

Formada em antropologia asiática, Mariana já morou em diversos países e, ao longo dos anos, dividiu apartamentos com pessoas de 16 nacionalidades diferentes. “É necessário mostrar para as crianças toda essa diversidade”, justifica.

Hoje, o clube possui 120 assinantes. Os planos custam a partir de R$ 39,90. “A taxa de desistência é muito baixa e isso nos deixa muito felizes e otimistas para o futuro. E os pais também adoram. Vários nos escrevem dizendo que aprendem muito”, comenta a empresária

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