Aplicativos que unem prestadores dos mais variados serviços e clientes ganham popularidade

Basta uma passeada virtual pelas lojas de aplicativos para encontrar de tudo um pouco. Essa enxurrada de serviços criados para encurtar a distância entre a oferta e demanda já ganhou um nome: “uberização”. É herança do Uber, que implantou um conceito de negócio com menos intermediários. “Com certeza vai se espalhar. Não é modismo, é tendência macroeconômica de usar a tecnologia para desenvolver quaisquer serviços. É como um Eros usando sua flecha para fazer a oferta encontrar a demanda certa”, destaca o professor de ciências políticas do Ibmec Adriano Gianturco.

De um lado, prestadores querendo trabalhar. De outro, clientes precisando de faxineiras, motoristas, babás, motoboy, cerveja gelada para festa, pet sitter, marcação de salão de beleza, transporte e até médico em domicílio.

Tem o Getnijas, que conecta as pessoas aos mais variados profissionais. Seguindo o mesmo modelo, tem também o Hijob, desenvolvido por mineiros. Pelo aplicativo, o cliente solicita o serviço, os prestadores enviam suas propostas, o cliente agenda e paga diretamente para o profissional. A vantagem é que, junto com as indicações, aparecem avaliações de quem já usou.

Já o Helpling ajuda clientes a encontrarem faxineiras e vice-versa. No Mercado da Gula, basta informar o CEP do endereço para onde precisa que o serviço seja entregue, marcar o que deseja e a ferramenta vai cruzar os dados e oferecer um cardápio de fornecedores que estão próximos à região.

O universo da saúde também tem sido explorado. No Docway, por exemplo, o paciente entra no aplicativo, que indica médicos cadastrados a partir da geolocalização, e o profissional atende em casa. “Temos o atendimento imediato, que substitui o pronto-atendimento, e consultas agendas”, explica o presidente Fábio Tiepolo.

O clínico geral Leandro Lima tem conciliado os atendimentos nos horários livres. Para ele, a vantagem, em tempos de crise, é potencializar as consultas. O preço é R$ 200 e dá direito a um retorno em 15 dias, se necessário. “O paciente pode mandar os exames pelo WhatsApp, e o preço é o mesmo praticado no mercado.”

A engenheira Ana Beatriz Corrêa já usou duas vezes. “Em fevereiro, meu filho teve uma virose forte, e eu chamei. Agora, ele teve uma crise de asma, e o médico chegou em uma hora e depois me ajudou pelo WhatsApp de madrugada”, comenta. Ana está desempregada e não tem plano de saúde. “Mesmo quando eu voltar a trabalhar, pretendo usar o Docway, pois só pago quando eu uso.”

Segundo Gianturco, ao facilitar o acesso ao serviço, o modelo fica cada vez mais eficiente. Quando o administrador André Fosso criou a plataforma Agenda Pet – uma rede que reúne veterinários e serviços como banho, tosa, dog walker, adestrador e hotelzinho – o objetivo era criar referência de qualidade. Mas também há o compromisso de melhorar o acesso a eles. “Pelo aplicativo, gerenciamos a indicação do profissional e o pagamento, que pode ser parcelado em até 18 vezes, dependendo do valor.”

Por enquanto, Belo Horizonte tem apenas o portal. Mas até setembro terá o aplicativo. Nem cliente, nem prestador pagam para divulgar oferta e demanda. A publicitária Fernanda Falci, que presta serviços de pet-sitter e dog walker, é cadastrada no Agenda Pet desde 2014. “É uma vitrine importante. Consigo selecionar os clientes e só atendo na região onde moro. Quando o aplicativo chegar a Belo Horizonte, vai melhorar. Estou, inclusive, pensando em treinar uma equipe para trabalhar comigo. Dessa forma, será possível ampliar para outras regiões.”

Segundo Fosso, é como ter uma rede enorme de profissionais trabalhando, sem precisar de espaço físico ou ter que arcar com encargos trabalhistas. “É como o Airbnb, que é a maior rede de hospedagens do mundo sem ter nenhum hotel”, diz.

Publicidade

Revolução. Segundo Adriano Gianturco, do Ibmec, a “uberização” vai revolucionar a publicidade, pois as propagandas tendem a ficar cada vez mais orientadas ao um consumidor específico.

Exemplos

De tudo, um pouco. Para encontrar prestadores com recomendação e que atuem perto da sua casa, acesse o Getnija ou o Hijob. Para faxineira, tem o Helpling, que se juntou com a Parafuzo.com.

Quem fornece

“O aplicativo é uma forma de diversificar os atendimentos, pois o mercado está difícil para todo mundo, com a crise. Tenho consultório e trabalho em uma empresa privada, mas posso fazer minha agenda em turnos livres. O paciente pode mandar exames pelo WhatsApp ou e-mail.”
Leandro Lima
Clínico Geral cadastrado no Docway

Quem usa

“Já usei duas vezes neste ano e paguei apenas por elas. Se eu tivesse plano de saúde, teria pagado oito mensalidades, já que estamos em agosto Precisei chamar o médico às 22h, e ele chegou às 23h. Foi ótimo. E ainda me orientou pelo WhatsApp, às 5h.”
Ana Beatriz Corrêa, 52
Engenheira
Usuária do app Docway

POTÊNCIA

BH já é destaque no mercado de apps

Belo Horizonte está entre as capitais que mais consomem serviços fornecidos por aplicativos. Criado em Curitiba, o app de medicina em domicílio Docway, por exemplo, entrou na capital mineira em dezembro do ano passado e hoje já são 90 consultas por mês. Segundo o presidente da empresa, Fábio Tiepolo, o mercado belo-horizontino já é o segundo colocado, atrás apenas de São Paulo. No Brasil, são cerca de 400 a 500 consultas por mês. “Belo Horizonte é a capital com maior número de atendimentos domiciliares do SUS, o que já indica um perfil para esse tipo de serviço”, avalia.

O aplicativo paulista Salão Vip, já tem em Belo Horizonte o terceiro maior mercado. (QA)