Superando a crise, empresas são opções aos planos de saúde e geram novos empregos

Com o agravamento da crise e aumento do desemprego, muitos brasileiros perderam seus planos de saúde. Pela primeira vez em 15 anos, o setor fechou o ano com mais saídas do que ingressos, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS). Ao todo, de dezembro de 2014 para dezembro de 2015, mais de 196 mil pessoas perderam o plano de saúde no estado. O número representa uma queda 3,2%. Em um cenário de precariedade na rede pública, laboratórios particulares e clínicaspopulares tornam-se uma opção cada vez mais presente no dia a dia dos pacientes.

Na contramão da crise e moldando um novo cenário da saúde particular no Brasil, as empresas oferecem preços acessíveis, atendimento de qualidade e registram  aumento expressivo na procura pelo público de classe média nos últimos meses. Só na capital do Rio de Janeiro há diversas redes como o a Policlínica Granato, Laboratório Sangue Bom, Laboratório Bronstein Popular, entre outras.

Com consulta médica em 32 especialidades até 70% mais baratas se comparado a preços de atendimento particular, a PoliclínicaGranato está em pleno crescimento. Os números impressionam. Foram 28.549 atendimentos só nos dois primeiros meses deste ano. Desde que começou, em 2008, em São Conrado, ao lado da Rocinha, a maior comunidade do Rio, a Granato já realizou cerca de 900.000 atendimentos. Teve faturamento de R$4,5 milhões em 2015 com expectativa de faturamento de R$ 8,5 milhões em 2016, número este que deve triplicar até 2018. “A carência de um sistema de saúde de qualidade, tanto da rede pública quanto privada, que humanizasse o atendimento e atendesse as necessidades da população fez alavancar as clínicas populares”, afirma Paulo Granato, médico e CEO da rede.

Para o empresário, a crise não pode assustar o mercado. “Em toda crise existem oportunidades. Temos que encarar as dificuldades de frente. No nosso caso, ao mesmo tempo em que parte dapopulação perdeu poder de consumo e foi obrigada a voltar para o SUS ou diminuir a frequência de utilização de nossos serviços, uma nova clientela surgiu e ficou aliviada por saber que pode ter acesso a saúde de qualidade independente do plano de saúde”, afirma. Para o futuro, o empresário tem planos de expansão. Atualmente, a Policlínica Granato atende em São Conrado, Tijuca e Madureira e mais três planeadas para 2016.“Pensamos em opções na Baixada Fluminense  e também na Zona Norte. Esse crescimento é muito gratificante. Em cada unidade nova, surgem mais empregos”, reflete.

Sem filantropia: Paulo afirma que embora as clínicas populares tenham um foco social, não acredita em assistencialismo. “Não acredito em filantropia, assistencialismo. Acredito que qualquer ajuda aos mais necessitados seja válida, mas os recursos podem ser melhor utilizados se o pilar financeiro for tão valorizado quando o social e o ambiental. A longo prazo, a filantropia não resolve. Se você precisa de doação para sobreviver, as chances de sua empresa não durar são grandes. Conseguimos fazer o bem com lucro, ter bom atendimento com preços acessíveis, e ganhar dinheiro no volume. Nossos médicos são os mesmos dos planos, e recebem remuneração compatível. Ou então são médicos que atendem particular, mas cobram muito menos na Granato. O cunho social atrai muitos profissionais, que ficam satisfeitos de se doar um pouco. A sustentabilidade financeira é essencial para que a instituição se mantenha saudável para ajudar cada vez mais pessoas”, completa.

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