Congresso Brasileiro dos Promotores de Eventos termina com avanços importantes

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Profissionais de toda a cadeia de eventos estiveram reunidos na capital federal para a quarta edição do congresso, que debateu variados temas e foi palco para o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e do Entretenimento; novo presidente da ABRAPE, Doreni Caramori, e o vice-presidente, Júlio Batista, foram indicados e eleitos pelos associados

A quarta edição do Congresso Brasileiro dos Promotores de Eventos foi realizada nessa semana, nos dias 26 e 27 de novembro, e reuniu profissionais da cadeia de eventos de todo o país, no hotel Royal Tulip, em Brasília. A iniciativa da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos – ABRAPE, foi encerrada com importantes avanços para o setor.

Eleição

No final deste ano termina o mandato do presidente da ABRAPE, Carlos Alberto Xaulim, mineiro que dirigiu a entidade por quatro anos. No primeiro dia do evento, com o objetivo de oportunizar produtores de outros estados, foi realizado um processo para a escolha das novas lideranças da entidade. O nome de Doreni Caramori, diretor do Grupo All, de Santa Catarina, foi indicado por aclamação como futuro presidente para o biênio 2020-2021. Da mesma forma, foi indicado pelo mesmo processo, para dividir as responsabilidades, Julio Batista, de Minas Gerais, para assumir a vice-presidência da entidade após atuar como tesoureiro no último mandato.

Doreni Caramori assume a presidência com ciência das prioridades, já que foi o vice-presidente nacional da entidade. “É difícil substituir o Xaulim, mas vamos continuar avançando com uma ABRAPE cada vez mais representativa. E para isso, eu contarei com a ajuda da diretoria, que será montada e de todos os associados”, discursa o novo presidente, que agora montará o um time de diretores para conduzir os trabalhos da associação durante os próximos dois anos.

Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e do Entretenimento

Uma data histórica para o setor de eventos no Brasil. Assim pode ser definido 27 de novembro de 2019, dia em que foi lançada a Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e do Entretenimento. A solenidade, realizada durante o IV Congresso dos Promotores de Eventos, reuniu produtores de eventos de todo o país e quase 30 autoridades políticas.

As atividades do segundo dia do Congresso Brasileiro dos Promotores de Eventos foram iniciadas com a presença de importantes nomes da política do país, como, o Ministro do Turismo, Marcelo Alvaro Antonio, Senadores Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Antonio Anastasia (PSDB-MG), Dario Berger (MDB-SC) e mais de 30 deputados federais, além do Presidente da ABIH Nacional, Manoel Linhares, Presidente da Embratur, Gilson Machado, o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e do Entretenimento, deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE).

De acordo com o criador da Frente, deputado federal Felipe Carreras (PSB-PE), a mesma foi lançada com o objetivo de criar uma maior representatividade dentro do Congresso Nacional para os profissionais que atuam na cadeia de eventos. “É na Câmara de deputados que grandes temas do Brasil são discutidos e leis são elaboradas. Eu acho que com essa frente a gente aproxima a casa do povo brasileiro a esse importante setor para e economia do país que é o setor de entretenimento. É um passo importante. Pretendemos pautar desafios históricos e fazer com que nós venhamos a ter conquistas através de leis que venham proteger e incentivar o setor, para gerar mais empregos e mais renda. Que possamos fazer mais eventos e levar mais alegrias para o povo brasileiro”, explicou o parlamentar.

Três demandas foram apresentadas pelos associados da ABRAPE ao deputado Felipe Carreras para serem tratadas como prioridades pela Frente Parlamentar. A primeira é sobre o reconhecimento da profissão de produtor de eventos, e as o demais sobre dois temas polêmicos que requerem atualizações:  ECAD e a meia-entrada, pautas que devem tramitar em breve no Congresso Nacional.

O presidente da ABRAPE, Carlos Alberto Xaulim, comemora esta aproximação do setor de eventos com o parlamento brasileiro. “Este é o movimento político mais importante na história das relações entre os produtores, artistas, integrantes da cadeia produtiva da indústria criativa e o Parlamento Brasileiro na construção de um modelo mais justo e harmonioso para todos. Temos que avançar e corrigir rumos em muitas questões. Essa é a hora de mostrarmos toda a nossa força, e a maioria desse aperfeiçoamento precisa passar pelo Parlamento. A ABRAPE está sendo a catalisadora e impulsionadora desse movimento. O deputado federal Felipe Carreras foi essencial, para essa materialização”, disse Carlos Alberto Xaulim.

Reconhecimento

A ABRAPE busca também, por meio da criação da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e do Entretenimento, o reconhecimento da profissão de produtor de eventos. O presidente da entidade, Carlos Alberto Xaulim, explica que o principal objetivo com este reconhecimento é criar legalidade. “Nós não podemos transacionar com o poder público. Temos legitimidade, mas não temos legalidade. O corretor de imóveis pode vender, o jornalista pode negociar serviços para o Estado e nós não. Somos tidos como atravessadores. Somos uma categoria que é muito importante para o país economicamente, com a geração de renda e empregos. Não tem uma categoria que gere tantos empregos temporários como a nossa, e cem o reconhecimento da nossa profissão, essa contribuição pode ser ainda muito maior”, explicou Carlos Alberto Xaulim.

ECAD

De acordo com o presidente da ABRAPE, Carlos Alberto Xaulim, a entidade tenta há muito tempo estabelecer um diálogo com o ECAD na busca por um modelo de negociação mais harmonioso, transparente e por isso, justo para as duas partes: os detentores de direitos autorais e os usuários. “Os produtores de eventos representados pela ABRAPE apresentaram um modelo piloto com uma proposta avançada, moderna e que traria luz a todas as operações de pagamento dos direitos autorais. Esse piloto tem como base a retenção nas ticketeiras de um percentual de 2% sobre a bilheteria bruta dos eventos. Com essa medida, acredito que além da transparência, haverá menos inadimplência e uma incorporação muito grande de usuários a esse formato, que hoje estão na informalidade. Entretanto, depois 18 meses, esse diálogo ficou comprometido por falta de ações e demonstrações efetivas por parte do ECAD de uma mudança na sua atuação. O ECAD precisa criar e apresentar fatos positivos, pois só é notícia como gerador de fatos que contribuem para a deterioração da obrigatoriedade do pagamento dos direitos autorais.  Ou seja, representa muito mal a quem deveria representar muito bem, os autores e compositores responsáveis por momentos muito especiais e indispensáveis na vida de todos através da música”, explicou.

Efeitos imediatos

A Frente Parlamentar em Defesa da Cultura e do Entretenimento já começou a gerar efeitos imediatos, pois no dia posterior ao encerramento do congresso, procedeu a realização de uma audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, onde o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) parlamentares, produtores culturais e um representante de detentores de direitos autorais criticaram a atuação do ECAD. Outras audiências públicas serão marcadas sobre esta pauta.

Meia-entrada

Outro tema importante muito debatido durante o congresso foi a meia-entrada. Segundo o presidente Carlos Alberto Xaulim, a ABRAPE considera o setor como única atividade econômica do Brasil que sofre com o confisco de 50% da sua receita bruta pela obrigatoriedade da concessão do privilégio de conceder descontos a estudantes, idosos, portadores de necessidades especiais, jovens de baixa renda, doadores de sangue e professores sem contrapartida ou benefício. “Se o Estado entende que parte da sociedade deve ter privilégios, ele que arque com custos dessa iniciativa. Não pode imputar ao privado esse dever. A meia-entrada é um absurdo jurídico. Trata ao mesmo tempo pessoas iguais de maneira desigual e pessoas desiguais de maneira igual. Na prática, ela não traz benefício a ninguém. Da forma como é feita, é muito ruim para o mercado. Por exemplo, em um evento cujo ingresso custaria R$ 100, temos que cobrar R$ 200 para que haja viabilidade. Mas isso acaba fazendo com que a pessoa de bem, que não usa carteira de estudante falsa, deixe de ir ao evento”, desabafou o presidente.

O diretor de assuntos legais da ABRAPE, Lúcio Oliveira, destaca que a entidade não defende o fim do benefício. “Não somos contra a meia-entrada ou outro instituto que possa estimular a frequência em espetáculos e fomentar a produção cultural brasileira. As leis existentes sobre o assunto surgiram há muito tempo e disciplinam o direito sem definir a mecânica do desconto e os pré-requisitos para a emissão da carteira estudantil. Também não apontam a fonte de custeio do subsídio, que precisa ser definido pelo governo toda vez que ele interfere em qualquer setor da economia.” explicou.

Outra realidade destacada pelos associados da ABRAPE é que a meia-entrada, na verdade, une a maioria da sociedade brasileira a pagar dobrado, afugentando e provocando injustiças com uma grande parcela que já é injustiçada por outros fatores. Afinal, mais de 200 milhões de brasileiros têm o seu acesso à produção cultural dificultado para que aproximadamente 8 milhões de estudantes possam ter o seu facilitado.

Painéis e palestras

Além das importantes discussões, o Congresso Nacional dos Promotores de Eventos priorizou a capacitação dos participantes. No primeiro dia, restrito apenas a associados, foi realizada uma imersão entre os presentes com a pauta “A entidade que temos e a ABRAPE que queremos”. Em seguida, o diretor de operações do Bancoob, Enio Meinen, e o diretor técnico do Sebrae nacional, Bruno Quick, explanaram sobre a importância do associativismo e empreendedorismo.

Já no segundo dia, o diretor comercial do Mineirão, Samuel Lloyd, falou aos congressistas sobre o benefício econômico dos eventos nas cidades e os desafios enfrentados pelos profissionais do setor. Na sequência, a mudança do mercado de comunicação foi abordada durante a palestra ‘Como a transformação digital afeta o seu negócio’, com Daniela Sousa, fundadora da AD Digital, que compartilhou sua visão sobre mercado e tendências de futuro para a indústria de mídia e entretenimento, com foco na transformação digital.

No painel festivais e grandes eventos, foram compartilhados cases de sucessos apresentando a filosofia, conceito, construção e todas as fases da produção e operação de importantes eventos realizados no Brasil. Gui Marconi, da Diverti, falou sobre o Coala, festival que acontece no Memorial da América Latina, em São Paulo, e tem como propósito ser um catalisador da renovação da música popular brasileira.

Na sequência, Wilson Kontoyanis, CEO da R2 Produções, apresentou o case do Na Praia, evento consagrado em Brasília, considerado o maior do mundo em Lixo Zero, que recria uma praia em plena Orla do Lago Paranoá. Fechando, Jove Nogueira, responsável pelo Funeral da Porca, evento 100% open bar, que acontece em Itaúna, interior de Minas Gerais, e atrai a atenção de todo o Brasil, pela estrutura, conceito, qualidade, inovações e sensações que a cada ano surpreendem o público.

O compromisso com a qualidade e excelência na entrega dos eventos foi a abordagem principal na palestra de Clínio Bastos, um dos produtores responsáveis pelos camarotes do carnaval de Salvador. Para agregar ainda mais conteúdo ao painel, Pietro Toscano, promotor de grandes produções nacionais e internacionais, falou sobre suas experiências, com destaque à turnê comemorativa Nossa História, de Sandy e Júnior.

Já Wilson Morais, diretor da Palco Locação DF, empresa especializada em montagem de estruturas, falou sobre a prioridade e o compromisso com a segurança e a qualidade que as montagens devem ter. Salientou ainda que é preciso contemporaneidade na formatação dos eventos, pois esse sentimento também é uma exigência da maioria dos frequentadores.

Além dos temas técnicos, o IV Congresso Brasileiro dos Promotores de Eventos apresentou aos participantes uma dose de motivação. Leonardo Farah, capitão do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que atuou em grandes operações, como, os desastres de Mariana, Brumadinho e Moçambique, proferiu a palestra ‘Além da Lama, como encontrar soluções diante de situações críticas’.

Encerrando o congresso, foi realizado o painel Parlamento ABRAPE, que foi palco para discussões muito importantes para o mercado de eventos e teve como âncora o advogado Daniel Morais. ‘O impacto das leis trabalhistas nos eventos’ foi apresentado pelo juiz Rodrigo Dias, que explanou sobre questões específicas enfrentadas no cotidiano dos produtores de eventos.30

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