Salvem os professores

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1995

Por: Maria Inês Vasconcelos
[ Advogada, escritora & professora ]

A sala de aula da contemporânea idade revela que os professores estão no laboratório. Ministrar aulas on-line se tornou um negócio de risco, já que o conteúdo fica gravado e pode ser visto diversas vezes inclusive comercializado. A aula é um ativo de enorme valor. Por isso, a sua comercialização transcende do campo jurídico trabalhista, passa pelos direitos da personalidade, exigindo análises intrincadas.

Hoje, a sala de aula ,sem sombra de dúvida, é um local de risco. As alternativas tecnológicas causam uma opressão absurdas sobre o professor, a falta de mentoria digital, de infraestrutura juntamente com as diferenças sociais no acesso à tecnologia e dificuldades com a aula remota. Esse é o palco do trabalho do docente. Neste lugar conflito os direitos da personalidade, a ponto da liberdade de cátedra ficar comprometida. O trabalho, que pela Constituição brasileira deveria ser prestado de forma livre, humanizada, isso é invasão das esferas psicológicas, está transmutado para uma verdadeira cadeia.

Temendo o desgaste de sua identidade, seja no campo profissional, seja outras esferas, o professor hoje trabalha com medo. A sala de aula é uma arma apontada para cabeça, haja vista que os desvios na utilização da tecnologia, em tese emancipadora, etiquetaram a pior forma de alienação sobre professor. O medo de falar, o medo de transferir conhecimento e ser julgado pela suas próprias ideias, o medo de ser o que se é.

Basta que o aluno dê um clique e encaminhe para o grupo infinito de pessoas um WhatsApp, que o professor pode ser crucificado por suas ideias. Avanços na legislação, como a lei Grau de proteção de dados, instituiu o conceito de cidadania digital e disciplina a proteção de dados pessoais, bem como em violabilidade da intimidade, da honra e da imagem. Mas a lei ainda engatinha em tentar solucionar conflitos de ordem trabalhista. Ela é completamente claudicante.

O Tele trabalho não está regulado então um pouco o movimento sindical consegue acudir o que de fato acontece com professor: Ele trabalha muito mais do que antes, sem qualquer tipo de blindagem, estando completamente vulneráveis e doentes. Aliás nesse aspecto o número de ver afastamento em razão de depressão síndrome do pânico e bournout é impressionante.

Transformado em laboratório a sala de aula é uma verdadeira guilhotina. O medo domina agenda. E ainda que a tecnologia seja ressurreição do mundo pós pandemia, o professor não pode pagar sozinho esta conta. Fica aí o recado: professores doença é um sinal de que a sociedade Caminha em sentido contrário, e que o estado democrático, na realidade está afundado. Uma democracia Se faz de muitas formas, mas sobretudo com a valorização daquela classe que irá não só educar mas formar os nossos futuros líderes públicos. A continuar desta forma, olharemos com tristeza para o futuro, não teremos artistas escritores e juízes, pois não teremos quem os eduque.