Antonio Lopes, Fala Sobre a vida militar e a ausência da família

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O 2º Sargento Antonio Lopes, 36 anos, formado na Escola de Sargentos das Armas do Exército (EsSA) na cidade de Três Corações – MG, em 2004 – 16 anos de serviços, é natural de São João da Boa Vista -SP

Pra quem é militar de carreira, aquele que presta concurso e fica 30 anos no Exército, é como se montássemos em um helicóptero e descêssemos 30 anos depois. Durante esses anos o que faremos fica totalmente em aberto. Por interesse próprio ou por interesse do exercito somos “quase” que obrigados a pedir transferência a cada dois ou três anos dependendo da cidade. Eu, por exemplo, já servi duas vezes no estado de São Paulo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, passei pela Argentina realizando curso, oito meses em missão de Paz no Haiti e agora estou entrando no Terceiro ano em Manaus – AM.

Em 16 anos fora de casa ainda não posso dizer que me acostumei. A carreira militar é um ciclo onde a cada três anos decidimos para onde queremos ir, para uma dos quase 600 quartéis espalhados pelos 26 estados da federal, podendo ainda participar de missões fora do país. A cada três anos temos a difícil decisão de ficar mais próximo da família ou de atender os nossos anseios pessoais. Para nós, as transferências são importantes, pois somos quantificados durante toda carreira e essa pontuação ajuda, por exemplo, nas promoções. Servindo na selva, por exemplo, ganhamos a medalha do serviço amazônico, a diminuição no tempo para a aposentadoria e um acréscimo no salário, por ser uma região de maior difícil acesso.

Já servi de 100 km a mais de 4000 km da minha família, e todo vez que os visito é difícil. Parece um velho ritual, vão me esperar no aeroporto, as sobrinhas vão dormir em casa para passarmos mais tempo juntos, reúnem os familiares para confraternizarmos e no retorno sempre tem que haver aquela readaptação, pois como dizem cada volta ao trabalho longe de casa é um novo recomeço. Por isso a maioria dos militares só vai uma vez por ano, para evitar as despedidas. Poucos conseguem servir em sua cidade natal. Sinto que minha família até hoje não entende a vida militar, já que não temos outros que também sejam. Estão sempre querendo que estejamos mais próximos, mas em contrapartida sentem orgulho da profissão.

Minha família mostra meus álbuns de fotos para todos que vão em casa ( Risos). Mas desde que entramos para o exército, mesmo nunca sido militar antes, a regra sempre é clara e sempre repetem as adversidades da carreira para vermos se realmente somos voluntários e temos aptidão. Por isso, durante a formação muitos jovens desistem por não se adaptarem a vida longe de casa, regrada, cheia de desafios.

Costumo dizer que é uma servidão, talvez até maior que a do celibato, pois nossos ideias, valores e crenças, muitas das vezes, colocam a pátria acima até do bem estar da família. Alguns quartéis longínquos praticamente inexistem escola, assistência médica e acabamos levando esposa e filhos. Por isso existe a velha frase dita pelo presidente Jair Bolsonaro, Brasil acima de tudo!

Procuro sempre não preocupar meus pais, sempre posto foto de lugares bonitos e sempre estou motivado para não preocupá-los. Mesmo estando realizando cursos que exijam cuidados, como de mergulhador e paraquedista, por exemplo, procurei passar sempre passar tranqüilidade. Por não ser casado e não ter filhos creio que a saudade da família seja maior, pois ouço sempre que a esposa passa a ser mãe, pai, esposa e por ai vai. É com ela que passamos dia das mães, dia dos pais, e natal muitas das vezes. Por isso e esposa de militar tem que ser praticamente militar também, pois passará pelos mesmos desafios.

Quando cheguei à Manaus, por exemplo, só conhecia aqui duas pessoas, sendo eles militares. Hoje estou bem mais interagido, tenho namorada, amigos, faço faculdade, academia, frequento a igreja, entre outras atividades. Esse é um lado bom do militarismo, conhecemos pessoas por onde passamos e deixamos vários amigos.

Procuro sempre mesclar uma cidade próxima de casa com uma mais longe, atendendo tanto os meus interesses como dos familiares. Estou próximo de fazer um novo pedido de transferência e já estou começando a estudar as possibilidades. O máximo que passei longe dá família foram de oito meses entre 2015 e 2016, período em que estive no Haiti.

Escolhi Manaus para continuar nessa ajuda mais cívico social. Já estive em algumas aldeias indígenas do interior, trabalhei em duas eleições garantindo a segurança da votação e apuração dos votos em cidades do interior e participei de transporte logístico pelas vias fluviais a cidades da fronteira do Brasil. Me sinto realizado pelas missões que me propus a exercer aqui.

Sobre o meu dia a dia

Como somos militares 24 horas por dia acabados trazendo boa parte das características da profissão para fora dela. Gosto muito de participar das provas de corridas de rua que acontecem sempre em Manaus, frequento quase que diariamente academia de musculação, faço natação entre outros esportes, inclusive de aventura. Mesmo no dia do Natal, por exemplo, estava fazendo rapel em uma cachoeira próxima a minha cidade.

Como temos uma vida agitada também gosto bastante de viajar, sobretudo cidades com praia e cidades com ecoturismo (cachoeira, raffting, trilhas ecológicas etc). Como adquirimos a cultura por ondepassamos gosto muito de tomar erva mate, como chimarrão que conheci no sul do país e Tereré do Mato Grosso, além de escutar uma boa música sertaneja vindo do interior. Como é um dever do militar o aprimoramento técnico profissional, muitos fazem faculdade e se habilitam em outros idiomas. Eu, por exemplo, sou formado em Letras e Computação e atualmente faço pós-graduação em Gestão Pública na Universidade Estadual do Amazonas, além de aula de Inglês e Francês. Em suma essa é a vida do militar, procurando cumprir aquele lema no qual nos propusemos a entrar para as forças armadas, “sermos orgulho da pátria e da família” e cumprir os deveres sagrados e institucionais com o sacrifício da própria vida, para isso, na maioria das vezes, abdicando da própria família. Antonio Lopes também é paraquedista pelo exército, e tem muito orgulho de ser um PQD. Sobre servir na Amazônia, ele nos contou que existe muito lugar lindo para ser explorado, como o Festival de Parintins.

Atualmente ele namora a jornalista amazonense, Maysa Esmeralda que também já foi Miss MesoAmerica amazonas em 2014. Inclusive já levou a namorada pra conhecer Família em SP e estão sempre viajando juntos. Antônio disse ainda que respeita o trabalho dela e procura sempre acompanhá-la nos eventos e já me considera interagido com a sociedade manauara”

O casal tem sido visto em vários eventos e baladas da cidade e estão sempre nos clicks dos principais sites e blogs do seguimento.

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