Pedro Neves conta suas inspirações para as obras da exposição ‘Real’

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Pedro Neves – Arquivo Pessoal.

Com entrada gratuita, mediante agendamento, a mostra está em cartaz na Rodrigo Ratton Galeria e fica até 20 de dezembro, com criações que reforçam a relevância da memória para a construção da cultura brasileira

Com as suas obras disponíveis para visitação do público na exposição ‘Real’, o artista plástico Pedro Neves conta as suas inspirações para as duas das oito pinturas que fazem parte da mostra. As criações podem ser vistas até o dia 20 de dezembro, na Rodrigo Ratton Galeria (Rua Alagoas, 1314, loja 27c, Shopping 5ª Avenida, Savassi, Belo Horizonte/ MG), mediante agendamento prévio pelo WhatsApp 31 99981-9281, para evitar aglomerações.

De acordo com Pedro Neves, ‘Real’ tem como mote falar do cotidiano, das línguas, da memória e da importante valorização dos negros na história mundial. Para o pintor, a exposição quer buscar o interior da memória de cada visitante, de uma forma que ele se prenda a importância da história da população negra em variados contextos. “Real é sobre a ressignificação da nossa memória, sobre uma busca pela realeza que acontece no cotidiano. Ou seja, o que tem de real no nosso mundo passa longe de regalias da monarquia, já que nossos barracos são castelos e nossa carruagem é um ônibus lotado, com tantas outras realezas que servem a um rei sem face. ‘Real’ é tentar aprender a nossa língua materna, um resgate identitário do povo brasileiro, que nasceu para servir, mas não aguenta mais viver assim”, comentou.

A primeira pintura destacada pelo artista é intitulada ‘Império’, um quadro de 126×128 cm, inspirada em uma obra de Debret. “Eu pego a referência da bandeira do Brasil Imperial, quando o país conseguiu a independência de Portugal, e a transformo em um manto e coloco em cima de corpos que ninguém consegue ver. O que seria uma família real, pois nessa transição de colônia para império, os favorecidos com a política eram sempre as mesmas pessoas, mas quem construiu o país foram pessoas que não têm nome, não têm história e não sabe quem são até hoje”, diz.

Em seguida, Pedro Neves explana sobre outra pintura, ‘Oshun’. Segundo o artista, a obra, que tem 196×148 cm, aborda a questão de pensar na realeza no nosso cotidiano. “Através desta obra, eu tento pensar a realeza através das mulheres negras, tentando entender onde que está esse brilho interior, esse brilho de Oshun, que não é só joias, mas brota de dentro delas e elas carregam independente do que estão usando”, completa.

Segundo Pedro Neves, ele quer mostrar, também, a importância de ser ter o conhecimento de outras línguas. Para ele, esse é ponto importante para a formação de pensamento. “Em uma conversa com minha amiga Eliza, ela me disse que aprender outra língua é aprender outra forma de pensamento. Assim, nessa linha de raciocínio, os muene kongo e sua corte, outrora composta por quendaimes, bonizames, narquim, subão, canator, cusame e acunda, se ressignificam na maneira eurocatólica de monarquia, abandonando as nomenclaturas congolesas para assumir a posição de reis e rainhas dos bailes de congo”, completa.

Ainda para o artista Pedro Neves, ao tirar a língua de um povo, se fragiliza sua cultura, filosofia, crenças e identidade. “Apesar de tudo, o corpo guarda memórias que a mente não consegue ler. A cultura popular denuncia isso, nas cortes dos reinados, reisados, maracatus, cabindas pernambucanas, cacumbis cariocas, baião de princesas maranhense e uma infinidade de culturas e tradições. A memória de quem fomos permanece viva no corpo, no canto, danças, lutas e festas, mas e no dia-a-dia? Assim, ‘Real’ é ver que como a estrutura colonial se reproduz”, salienta.

“Falo de negros de ganho trocando seu tempo e saúde por trabalhos fatídicos, artistas negros sendo exibidos como troféus, mas nunca sendo respeitados como pessoas, mulheres negras sendo vendidas como pedaço de carne, com povos indígenas tendo seus terrenos incendiados e desapropriados. ‘Real’ é ver que 500 anos de Brasil e o Brasil aqui nada mudou, nossa realeza é a memória da identidade que tentaram deixar do outro lado da calunga, mas o corpo guarda”, conclui Pedro Neves.

Pedro Neves

O artista Pedro Neves é nascido no Maranhão, mas morador de Belo Horizonte. Ele tem um forte trabalho na linguagem da pintura, escultura e fotografia em suportes variados. As criações do artista circulam pela linguagem da pintura, escultura e fotografia em suportes variados, partindo da necessidade de repensar a história do povo brasileiro, através de representações de culturas tradicionais, cotidiano periférico, relações familiares e quais sequelas foram herdadas do colonialismo e imperialismo ainda presentes no Brasil republicano. Sua pesquisa consiste em contar uma história tendo como ponto de partida suas vivências, onde os atravessamentos históricos sociais representam grande peso nos pequenos problemas do cotidiano.

 

Serviço:

Exposição ‘Real’ | Pedro Neves

Local: Rodrigo Ratton Galeria – Rua Alagoas, 1314, loja 27c, Shopping 5ª Avenida, Savassi, Belo Horizonte/ MG

Data: 23 de novembro a 20 de dezembro

Entrada gratuita (mediante agendamento prévio pelo WhatsApp 31 99981-9281).

Classificação livre

Mais informações ao público:

Instagram da Galeria Rodrigo Rattonhttps://www.instagram.com/galeriarodrigoratton

Site da Galeria Rodrigo Rattonhttps://www.rodrigoratton.com.br

WhatsApp: 31 99981-9281

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Editor e fundador do Jornal Brasil Agora [BH/MG/Brasília-DF] - Ano: 2015 __________________________________________________________________________ Diretor do 'Grupo Conteúdo' - Agência de Notícias | Publicidade & Marketing Digital. Siga o Instagram e leia outras matérias e artigos no perfil:@felipe_jesusjornalista. __________________________________________________________________________ Diretor Responsável do "F&J - Escritório de Assistência & Prevenção Jurídica". __________________________________________________________________________ Formado em Jornalismo pela (Faculdade - FESBH), Publicidade & Propaganda (Instituto Politécnico de São Paulo), Relações Públicas (Universidade UIB/EUA), Teólogo (Faculdade ESABI/BH-MG), Sociologia (Faculdade Polis das Artes/SP), Economia (Universidade UNIP/SP), Bacharel em Direito (Universidade - UNIESP/FACSAL-BH/MG) e Ms. em Comunicação Social: Jornalismo e Ciências da Informação (Univ. UEMC/Espanha). Com larga experiência em coberturas da área de Cultura (Jornal & Assessoria de Imprensa): Shows, lançamentos de álbuns, livros e exposições de arte, trabalhou durante anos, também, fazendo coberturas e matérias na área de Economia (ao qual acabou se graduando posteriormente). Atualmente, além de editorar alguns portais de notícia no país, ser redator e administrador, escreve duas colunas semanais. Com a "Crítica Musical" (coluna que está no CulturalizaBH - Portal Uai ao qual é editor e financeiro) e a coluna "Opinião & Comportamento", que durante anos ficou no portal da RedeTV e hoje está no portal "Rondônia Digital". Desta coluna, surgiu o E-book: "Sociedade Conectada: A Influência da Internet no Cotidiano" - Ed. Escrita Certa (2019). "A escrita é a minha maior paixão" (Felipe de Jesus). ____________________________________________________________________________ [ Siga o Instagram: @felipe_jesusjornalista ]

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